
Alma das Coisas
(as lições de uma planta)
Enamorei-me da alma vegetal.
Fui seduzido pelo seu sinal
E, então, me aproximei...
O arbusto, protegendo-me, era escudo:
Retribuiu, com toque de veludo,
O toque que eu lhe dei.
Eu pressenti a sua invocação
- A folhagem tem voz, tem emoção
E a flor parece taça!
As folhas gemem como castanholas;
Cada galho é uma mão pedindo esmolas:
O afeto de quem passa.
A alma sutil das plantas somos nós
Quando, calados, lhe emprestamos voz
No anseio de aprender.
Até intuir, à luz da noite pasma,
Que o corpo, que é mortal, é um fantasma;
O espírito que é um ser.
Homem – mescla de argila e de infinito,
Acordando as estrelas com meu grito,
Neste clamor sem fim,
Eu me rendo ao mistério que se encerra:
Há em cada vegetal, que é preso a terra,
A essência do jardim.
Marcelo Henrique