
Aos que choram
osculando a destra da morte
A morte - esse acordar sutil de todos nós -
É, em sua plenitude, a vida resgatada,
Incorpórea, de encontro a vidas diferentes.
À margem de si mesmo, o ser humano é foz
Que sente ondulações orgânicas do nada
E, em quedas, se eterniza em novas afluentes.
Então, por que chorar? Saudade? Apego? Dor?
É preciso fazer dos restos de emoção
Templo de fé, de paz... de um sentimento puro...
Na migração do ser - vôo restaurador -
A essência se depura... é assim a evolução:
- Aspirantes à luz nas sendas do futuro!
Importa a vida-essência - a vida continua,
Ilimitada, plena e cada vez mais forte,
Nas galeras do amor, da paz e do perdão.
Nos naufrágios da dor, às vezes de alma nua,
O ser não se apercebe: está vencendo a morte
A cada vez que doma o próprio coração!
Nós somos muito mais que nervos e ossatura
- Entre as forças do espaço, energia e vertigem,
A vida não está no escafandro carnal.
O ser humano é mais que apátrida figura
Que busca resgatar, saudoso, a própria origem...
O ser humano é mais... é espírito imortal!
Marcelo Henrique