
Dia das Bruxa
(poema caipira)
Foi nesses baile que puxa
As fantasia sem fim,
Um desses tar "Halloween",
Qui apareceu uma bruxa,
Fia do Demo, gorducha,
Quereno "ralá os rim".
Eu, de múmia – trinta rolo
Di faxa, tudo inroscado –,
Paguei tudo os meu pecado
Dançano co tar "tijolo"
Qui mi afroxava os miolo
C'aquele bejo alongado...
Foi bão? Mai'quê! Foi horrive!
Berta Pinto do Armistício
Era o nome do instrupício...
Naquela noite terrive,
Curpa da Berta, excrusive,
Mi arrevistaro por vício!
O "gurila", o segurança,
Qui suava feito um bode,
Disse: "Aqui, droga num pode!".
I a Berta, incoieno a pança,
Mi aderruba o segurança,
Sobe em cima e si sacode!
Comemo um lanche – X-Frango! –
Pra caí no arrasta-pé:
Foi fuzarca! Foi tropé!
Cum cara de orangotango,
A Berta dançava tango...
Nóis tudo dançava axé!
I a cada sarto, a disgraça
Mi alembrava um canguru:
– Vermeia feito um peru,
Dispois di carcá manguaça,
Baxava i fazia graça...
Rodava mai' do que exu!
Era um veneno di cobra!
Jeitão di bicho-priguiça,
´Té paricia a Mortiça,
Num fosse as banha de sobra...
– Silicone em cada dobra
Era ponte-levadiça.
Os zóio – dois berimbau –
Piscava atrais di carinho
I eu fugia di mansinho
Daquela cara-de-pau.
– As perna de pica-pau
Num corpo di porco-espinho!
Ô feição di lubisome!
Os seus braço era tar quá
Di um véio tamanduá.
– Muié mai feia qui a fome!
O quexo iguar quexo di home
I um prefume di gambá!
Banzé-di-cuia na certa!
No agarra-aguarra, no duro,
Eu mermo passei apuro
Co aparpa-aparpa da Berta:
Cada faxa adiscuberta
Era uma guerra no iscuro...
Eu suava! Ela suava!
Nesse tar de rala-e-rola
Onde os casar si aconsola,
Nóis dois não cunjuminava.
I dispois eu si alembrava
Qui a Berta era meia-sola!
Fim da festança imperfeita!
"Halloween"... e as faxa suja
Di batão da dita cuja
Qui nunca vai sê dereita,
Mai cura quarqué maleita
Co´os dois zoião di curuja!
Marcelo Henrique