
Elegia a Francisco de Assis
Ave, Francisco! Orfeu batizado na luz!
A sua academia era o doce Jesus,
Pregando o amor do amor, abismando-se em Deus,
Pregando a caridade aos crentes e aos ateus.
Aos homens presidir, mandar – apenas isto –,
É preferível ser um lacaio de Cristo,
Saciado de fé, de paz, de solidão,
Vindo ao mundo lutar em prol do seu irmão
Em meio à selva, enfim, dos ódios medievais,
Mas nunca abençoando espadas e punhais.
Ó Francisco de Assis – nome em que há mel e incenso,
Humilde pelo exemplo e, por ser santo, imenso
No espalhar pela Terra, além dos cantochões,
As preces que vêm da alma, as puras orações.
Depois do Nazareno, ele foi, com certeza,
O segundo querido esposo da Pobreza.
Se auroras são pagãs, preciso é convertê-las,
Pregando mesmo a um lobo e muito mais a estrelas
E a cada ser que ainda esteja mergulhado
Nessa noite sombria e escura do pecado.
Ó meigo Poverello, irmão gêmeo da dor,
Sempre a reconstruir a Igreja do Senhor
Que, soterrada pelo egoísmo e pelo engano,
É a mesma do passado – o coração humano,
Divulgando, entre nós, sua austera verdade:
“Amai-vos, pela paz, loucos da Caridade,
E sede a cada irmão um simples mensageiro,
Levando ao mundo todo as bênçãos do Cordeiro.”.
Marcelo Henrique