
Imorredouro Amor
(à poetisa Jandira Grillo)
I
Freqüentemente, eu faço serenata
Àquela pela qual meu ser delira.
E uma tiara a Lua faz, de prata,
Engrinaldando a fronte de Jandira.
É tanto amor que essa mulher me inspira,
Como o fluir de límpida cascata.
De bem-querer é feita minha lira
E de carinho é feita minha oblata.
Quando um de nós se for, o que ficar,
Curtindo a dor dos últimos mortais,
Receio que não possa suportar...
Alma sozinha, num torpor profundo,
A se perder, dilacerada em ais,
A não se achar no espaço deste mundo...
II
É que nós somos almas peregrinas
Afinadas no mesmo diapasão.
Por bênção das sagradas leis divinas,
Nos reencontramos entre a multidão.
As suas mãos, tão frágeis e tão finas,
São pérolas na concha desta mão.
Juntos, vencemos nuvens e neblinas
No indomado corcel da inspiração.
O nosso amor, tão forte, espiritual,
Transcende tudo aquilo que é mortal,
Na reciprocidade desmedida.
E, por milagre, a luz dos olhos seus,
Autêntico fanal dado por Deus,
É, para mim, a luz da minha vida.
Marcelo Henrique
Resposta...
Frasco de Perfume
(a Marcelo Henrique)
Ao me inteirar de “Imorredouro Amor”
– página nobre do “Condor Gigante” –,
senti, quase, minha alma agonizante,
num misto de alegria, luz e dor.
Palavra por palavra... meu semblante,
assombrado co’o mágico esplendor,
quis esculpir, de tudo, o brilho e a cor
da vida que nos liga a cada instante.
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Mas no enorme silêncio de nós dois,
quando um partir e outro ficar. Depois,
já no caminho da erraticidade,
um sopro há de envolver nosso queixume,
como um frasco repleto de perfume
na essência da lembrança e da saudade.
Jandira Grillo