
Itinerário de Eros
Filho do caos, serei, aonde eu for,
Nutrido pelo leite de Afrodite.
Domino os corações, mas – acredite –
Eu mesmo sou escravo do torpor.
Na “fome” mais que humana e sem limite,
As almas são vassalas desse amor,
Os corpos são banquete a meu dispor,
Mesmo que, por desprezo, eu os evite.
Por tantos sóis, por tantas luas cheias,
Embebi flechas no licor dos astros
E inoculei veneno em minhas veias...
Pobre de mim, que enfrento este revés:
Hoje, persigo o pó de tantos rastros
Para beijar apenas os teus pés!
Marcelo Henrique