Exortação por um Natal de Paz


Rabi: teu pobre irmão, humilde, é que te fala;
De coração chagado, eu te abro o coração.
Alma em luto, freqüento essas noites de gala
Que o Natal propicia, em fugaz profusão.

Já não vejo, no céu, a luz que se propala,
Pois para mim, Jesus, cada constelação
Parece refletir mil pingentes de opala:
O choro de Deus Pai por toda a criação!

Já não vejo, Senhor, aquela estrela-guia
Que trouxe a luz de Deus à luz da estrebaria,
Nem te sinto, Rabi, nos palácios da Terra...

E me fazem chorar os presépios do mundo:
A vida que renasce, em fração de segundo,
E sucumbe no ventre abortivo da guerra!


Marcelo Henrique