O Chamado das Luzes


Entrego-me à minha dor de cabeça,
À minha preguiça mental
E à minha humaníssima loucura.
Envergonho-me da omissão cotidiana
Que me impede de ser luz
E dar luz aos meus irmãos.
– Invejo Prometeu!

O desamor incomoda
Porque eu me incomodo;
Quero ver o que sinto
E sentir o que vejo,
Ainda que a verdade me desnude
E o mundo se despoje
De sua máscara de infinita ilusão

A água da chuva me parece, agora,
Uma bebida nobre e real
– Sangue da terra que o Rubaiyat não cantou!
As gotas são seres pequeninos que,
Em tropel,
Deixam o rastro de seus pés em minhas palavras.

E, então, descubro, num “insight”,
Que as estrelas não temem parecer,
Aos homens,
Insignificantes insetos de luz.

Já não temo minha própria insignificância
Porque outra luz em mim se acendeu.


Marcelo Henrique