
ODE A UM GAVIÃO
Ao Beto Oliveira, de Camanducaia/MG,
que viu e ouviu, juntamente comigo,
o nosso irmão gavião...
Eu estava perdido em algum labirinto,
Entre as coisas que penso e entre as coisas que sinto,
Quando, então, qual troféu
De plumagem rajada, num tom carijó,
Majestoso a cantar, era o som dele só
A ecoar no céu!Foi pousar na mais alta braçada de flores
O gavião, meu irmão, tão repleto de amores,
A cantar para mim.
E me fez despertar da fatal letargia;
Eu me pus a sorrir para esse anjo que havia
No horizonte sem fim...Foi quando o Sol se pondo – a gigantesca nave –,
Com seu banho de luz, fez das penas dessa ave
Escamas de ouro e prata.
O gavião abriu as asas, imponente,
Como se nos dissesse – a mim e a toda a gente:
– Eu sou filho da mata!Tu és das águias primo e és primo dos falcões!
Teu cantar enternece e toca os corações...
E põe nossa alma em festa!
Ó bendita presença, em cantares de amor,
Mensageiro de paz, como o irmão beija-flor,
Que vem lá da floresta!
Marcelo Henrique