
Réquiem pela Tormenta
I
Sou poeta – meus versos são punhais...
Venho falar de amor aos desgraçados!
Se ainda brota um sorriso
À flor dos lábios do povo,
Se ainda vive a esperança
No coração quase morto,
Vem comigo, ó meu irmão...
Que a nossa voz se projete
Nos cemitérios, nas cruzes,
Contra os projéteis e obuses,
Numa cruzada de paz.
Vê que os Estados Unidos,
Com seus caças e seus mísseis,
São, hoje, a Roma de outrora,
E Nova Iorque ainda chora
Por tantas vidas queimadas
- Nuvens de ódio e de ambição!
Que Deus tenha um dó profundo
De quem acumula carmas
“Plantando” guerras no mundo
Para vender suas armas.
O sangue, banhando as praças,
Minando, podre, nas ruas,
Lavando a esteira dos tanques,
Mancha a memória de heróis!
II
Sou poeta – meus versos são punhais...
Venho falar de amor aos desgraçados!
Venho falar da miséria
E venho cavar trincheiras,
Mostrando ao mundo caveiras
- As chagas da corrupção!
Eu venho fazer denúncias
Contra a censura velada:
A prepotência ativista
Que sufoca a voz do artista
E quase o deixa sem pão.
É preciso, mais que nunca,
O despertar das consciências
No gigantesco Brasil...
Aqui, seqüestros são norma,
Numa luta fratricida,
E o desemprego deforma
O que sobrou do ideal.
Que a nossa voz se projete
No peito da hipocrisia
- A retórica vazia
Na feira do Mercosul!
Que as lideranças da Terra,
Em vez de “clonar” a guerra,
Fecundem, no mundo, a paz!
Marcelo Henrique