REVELAÇÃO DO LUAR



Que eu possa, ó irmã Lua, te enxergar
Nas águas agitadas do meu ser
E, vendo teu reflexo, poder ver
Além de mim e, então, me libertar.

Rompe as fronteiras frágeis e pequenas
De minha vida até que eu possa unir-me
À vastidão do Verbo – o meu chão firme,
Ao oceano de luz com que me acenas.

Minha alma quer ser águia, quer ser peixe...
Sou parte desse Todo – ânsia infinita.
O filho roga ao Pai, por Ele grita:
– Ó bem-aventurado, não me deixe!

Na fronte do infinito, são emblemas
As estrelas que eu vejo a cintilar.
Eu cantarei seu brilho até rasgar
O tapume do céu com meus poemas!

Sou parte do Universo; o que recua
– O medo em mim – é o grito do meu ego.
Sou uno com meu Pai, a Ele me entrego:
O corpo morre... e a vida continua!

 

Marcelo Henrique

(04-V-2009, às 03h30)

 

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