Toada do Amor Maior
O poeta que sou, a elucidar-se,
Zumbi que vai do quarto para a sala,
Sentindo uma saudade que avassala,
Desnuda-se, arrancando o seu disfarce.Tatuagens tribais feitas de sangue!
Arabescos de veias, em motim,
Chagas d’alma que vão brotando em mim,
Seguem vampirizando o corpo exangue.E, embebedando as secas que os consomem,
Num porre libertário de água e sal,
Meus olhos são vertentes de um caudal
Que nasce reavivando o poeta no homem...A lua cheia afronta nuvens pasmas.
Eu me comovo enquanto ainda a contemplo:
Enxugo o pranto e sigo o seu exemplo,
Exorcizando medos e fantasmas!Exilados, meus sonhos, tão dispersos,
São náufragos deixados além-mar;
Eu, novo Prometeu a iluminar
A vida com a luz destes meus versos.Cego de dor, qual mísero Sansão,
Saudoso de outro tempo e de outra Pátria,
Eu ouso derrubar, no ardor de um xátria,
As colunas do templo da ilusão!E enxergo além... rasgando o véu de Maya...
A altura que eu concebo dá vertigens!
Ó ânsias de galgar espaços virgens
Até atingir meu íntimo Himalaia!Esta missão de amor é bem maior
Que a pequenez que me limita o ser.
Não é preciso nada mais dizer...
A boca cala o que a alma traz de cor!17-I-2009, às 05h45
Marcelo Henrique