

TRIBUTO
à poetisa Jandira Grillo
Filha que volta à casa de seu Pai,
Ela se foi, deixando em mim saudade
E este vazio imenso que me invade,
A intensa dor que chega e nunca sai.Em novo “corpo”, numa forma etérea,
Tão leve como o fora em tempos idos,
É senhora de si, de seus sentidos,
Não mais jungida ao peso da matéria!Ó peregrina, que sorveu da brisa
Um destino de dor, de sofrimento,
Minha alma está ligada, em pensamento,
À sua alma sensível de poetisa!Almas irmãs, o verso nos uniu!
Numa tristeza que mais cresce agora,
A Rua General Câmara chora
A doce poetisa que partiu...Jandira! Eu, quando a quero reencontrar,
Vou procurá-la nos papéis dispersos,
Na incrível força dos seus lindos versos,
Nos gestos leves, no seu dom de amar.Vinte anos de amizade – linda história!
As emoções, em mim, causam tumulto...
Meus olhos guardam tanto do seu vulto,
Que esculpem os seus traços de memória.E, em meus ouvidos, muito além do luto,
Um misto de silêncio e de alarido:
A voz que me chamou de “meu querido”
É a mesma voz que, às vezes, ainda escuto.Os dias passarão! Que nos conforte
O alento do que nós pudemos ser.
Uma certeza habita este meu ser:
A nós, nada separa... nem a morte!
Marcelo Henrique