
Diante de um Cálice de Vinho do Porto
No porejar da taça, o esplêndido maná
Volátil, liquefeito à luz de noites pasmas,
Tem o aroma de favos de mel... vou bebendo absorto:
É néctar o sangue vegetal que o deus Baco nos dá!
É vida! E, exorcizando os medos e os fantasmas,
Há nas gotas ancestrais do meu vinho do Porto
Bênçãos e maldições de almas acorrentadas
À gênese voraz de tantas madrugadas
E há vampiros temendo o arrebol
A Lua
No céu parece
O Sol
Quando flutua
Ou some
De vez.
Pouca fome...
Mas, sede
Chega forte
Louca
Sede de vinho
A Lua é quase morte
É fatal
Se nua,
Se é desigual
E, assim, talvez,
Possa eu brindar aos seres mutilados!
Querendo harmonizar, em minha embriaguez,
Juntos, na mesma taça, amores e pecados!
Marcelo Henrique